Bia de Lima promove audiência Pública para debater o Novo Ensino Médio

A deputada Bia de Lima (PT) fará na próxima quinta-feira, 16, às 9h, no auditório 2 da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), um importante debate sobre o Novo Ensino Médio. Foram convidados para participar e debater a Secretaria Estadual de Educação, Conselho Estadual de Educação, Faculdade de Educação da UFG, UEG, Universidade Federal de Catalão, Universidade Federal de Jataí, DEC/UFG, UNE e Ministério da Educação.

O Novo Ensino Médio, instituído pela Lei 13.415, de 2017, entrou em vigor em 2022 e prevê implementação gradual até 2024 em todas as escolas do país, públicas e privadas. As mudanças refletem na carga horária, com aumento no total de horas/ano, na grade curricular, baseado no projeto de vida do estudante. Se antes o modelo anterior era visto mais como uma preparação para o ensino superior, agora, a proposta é dar uma formação mais voltada ao mercado de trabalho.

Carga horária: O NEM estipula aumento progressivo da carga horária. Antes, no modelo anterior, eram, no mínimo, 800 horas-aula por ano (total de 2.400 no ensino médio inteiro). No novo modelo, a carga deve chegar a 3.000 horas ao final dos três anos.

Grade curricular: Até 2008, incluía as disciplinas tradicionais como matemática, português, ciências, história e geografia. A Lei nº 11.684/08 alterou as diretrizes e bases da educação nacional e incluiu Filosofia e Sociologia como disciplinas obrigatórias nos currículos do ensino médio.

Com a implementação do NEM, no ano passado, as disciplinas tradicionais passaram a ser agrupadas em áreas do conhecimento (linguagens, matemática, ciências da natureza e ciências humanas). A partir deste ano, cada estudante pode montar sua própria grade, escolhendo as áreas (os chamados “itinerários formativos”) nas quais se aprofundará.

A intenção é que sejam três anos de estudo com esses conteúdos eletivos, perfazendo 1.200 horas focadas nos objetivos pessoais e profissionais dos alunos, mais a parte fixa, alcançando 1.800 horas de ciências da natureza, ciências humanas, linguagens e matemática. Somadas, se chegará às 3.000 horas-aula nos três anos.

Projeto de vida: é um componente transversal que será oferecido nas escolas para ajudar os jovens a entender suas aspirações. Cada rede de ensino tem a liberdade de distribuir a carga horária dos itinerários formativos da maneira como julgar ideal: tudo no primeiro ano ou espaçado ao longo dos três anos, por exemplo.

O ensino de língua portuguesa e matemática é obrigatório nos três anos do ensino médio. A lei não estipula um número mínimo de aulas dessas disciplinas por semana. O que importa é que elas estejam sempre presentes na matriz curricular.

Se antes o modelo de ensino médio era visto mais como uma preparação para o ensino superior, agora, a proposta é dar uma formação mais voltada ao mercado de trabalho. A partir dessa perspectiva, as disciplinas Filosofia, Sociologia e também História, essenciais para a formação de sujeitos dotados de pensamento crítico, ficaram à margem e sujeitas à orientação de cada rede de ensino que tem a liberdade de distribuir a carga horária dos itinerários formativos da maneira como julgar ideal.

ENEM: O novo formato irá refletir no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) já a partir de 2024. A prova, que hoje é igual para todo mundo, passará a ter uma etapa específica, conforme o itinerário formativo escolhido pelo candidato.

Desde o retorno presencial após a pandemia, o programa atravessa diferentes níveis de implementação, variando de estado para estado.

As mudanças promovidas pelo NEM não levou em conta a infraestrutura ofertada para receber o alunado, que estará, diariamente, dividido nos seus interesses pessoais, a partir dos itinerários formados. Há escolas públicas sem infraestrutura para manter o novo formato. No novo ensino médio, cada colégio deve escolher, no “cardápio” de itinerários formativos elaborado pela sua rede estadual, no mínimo duas opções para oferecer aos alunos (matemática e linguagens, por exemplo). Com isso, em vez de uma turma grande ter a mesma aula às 8h, como era antes, serão dois grupos menores (um que escolheu matemática, outro que preferiu linguagens). Isso exige que a escola tenha duas salas de aula disponíveis no horário.

Para a Deputada Bia de Lima, que preside a Comissão de Educação da Alego, a audiência pública será uma oportunidade para estudantes, professores e a comunidade escolar debaterem essas mudanças que afetarão o momento mais importante da formação educacional dos jovens, ao promover mudanças conceituais, sem considerar infraestrutura das escolas, condição de vida do alunado e, obviamente, valorização e formação dos professores.

“Se queremos um ensino médio de fato ressignificado, é preciso abordar outros elementos também, como infraestrutura escolar, dedicação integral do professor a uma única escola, gestão escolar, projeto pedagógico, valorização e formação docente, por exemplo. Não basta mudar a forma, visando formação de mão de obra desprovida de pensamento crítico para ocupar as vagas menos valorizadas do mercado de trabalho. Precisamos focar numa sociedade igualitária e para isso é nossa obrigação formarmos sujeitos críticos capazes dessa ação transformadora”, afirma.

Natural de Serranópolis, Bia de Lima destacou a emoção de promover a sessão solene na própria cidade e de poder reconhecer publicamente pessoas importantes para a história do município, em um momento de celebração da história e das contribuições de cidadãos que ajudaram a construir o presente da cidade. “Essa é uma homenagem muito especial. Serranópolis é a minha terra, o lugar onde estão minhas raízes e reconhecer essas pessoas que dedicaram suas vidas à comunidade é também preservar a nossa história e valorizar quem construiu o caminho que seguimos hoje”, afirmou a parlamentar.

De acordo com a parlamentar, ela está atenta à proteção das crianças e adolescentes goianos. “Infelizmente, em tempos atuais, seja em função do uso da internet, no ambiente familiar ou em qualquer outro espaço, nossas crianças têm sido atingidas, têm sido ameaçadas ou, quando não, violentadas. Então, nós precisamos ter um momento em que a gente pare e acione toda a comunidade, toda a sociedade, para essa escuta, para que possamos saber o que está ocorrendo, para que os conselhos tutelares, a sociedade, a família e a escola possam, de fato, conhecer se está ou não havendo algum tipo de situação errada”, disse a deputada.

Com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, a deputada Bia de Lima destacou que a reforma tributária é estratégica para ampliar investimentos e promover desenvolvimento em todo o país. “Uma reforma tributária justa é fundamental para que o país tenha mais capacidade de investimento e para que os recursos cheguem a quem mais precisa, especialmente nos municípios menores, que dependem de um olhar atento do poder público”, destacou.