Honraria: proposto pela deputada Bia de Lima, título de Cidadã Goiana para professora Maria Zita é aprovado na Comissão de Constituição e Justiça

“O legado de Maria Zita ultrapassa barreiras geográficas, raciais e sociais. Sua vida e obra não apenas enriquecem a cultura goiana, mas inspiram futuros educadores, artistas e militantes pela igualdade”, afirma Bia de Lima.

Foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) o projeto de lei proposto pela deputada Bia de Lima (PT) que concede o título honorífico de cidadania goiana para a professora Maria Zita Ferreira. O PL segue agora para apreciação pelo plenário da Casa.

Conforme a parlamentar, a professora tem uma trajetória de vida relevante, além de contribuições culturais, educacionais e sociais importantíssimas para o estado de Goiás.

“O legado de Maria Zita ultrapassa barreiras geográficas, raciais e sociais. Sua vida e obra não apenas enriquecem a cultura goiana, mas inspiram futuros educadores, artistas e militantes pela igualdade”, afirma Bia de Lima.

Conheça a professora Maria Zita Ferreira

Maria Zita Ferreira é uma mulher preta, nordestina e pioneira, que dedicou sua existência à valorização da cultura afro-brasileira, à educação e à promoção da igualdade racial no Estado de Goiás.

Nascida em Floriano, no interior do Piauí, Maria Zita Ferreira teve sua vida marcada pela força e resiliência desde cedo. Ainda criança, enfrentou as adversidades de uma enchente que devastou sua cidade natal, levando sua família a migrar para Goiás nos anos 1950, em uma longa e difícil jornada de pau-de-arara.

Foi no coração do Brasil que Maria Zita encontrou solo fértil para fincar suas raízes, construir sua vida e desenvolver uma brilhante trajetória de pesquisa, arte e transformação social. Educadora por vocação, graduou-se em Educação Física pela ESEFFEGO e concluiu seu mestrado em Educação pela Universidade Federal Fluminense, onde pesquisou profundamente a dança como expressão cultural e linguagem corporal. Sua dissertação reflete a dedicação a temas que entrelaçam corpo, história e identidade.

É autora do livro “Dança Negro, Ginga a História” (Mazza Edições), obra que reflete sua preocupação com a valorização dos ritmos afro-brasileiros e a disseminação da cultura negra como ferramenta de empoderamento e resistência.

Como professora da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás), Zita Ferreira formou gerações de educadores e artistas. Seus projetos de extensão, que integraram dança, capoeira, ginástica corretiva e apresentações artísticas, tiveram como fundamento a inclusão social, o resgate da identidade cultural e a promoção da consciência étnico-racial.

O trabalho artístico da Mestra Zita é igualmente digno de destaque. Em 1977, integrou o corpo cênico do espetáculo “Senzala”, dirigido por Lenir Miguel de Lima, onde a cultura afro-brasileira foi representada com uma profundidade que transcendeu os palcos e inspirou a reflexão sobre padrões sociais, resistências históricas e novos caminhos para a arte contemporânea.

Maria Zita também levou o nome de Goiás para o mundo, realizando eventos educativos em Graz, na Áustria, em 2001, reforçando o papel da arte como ponte entre culturas. Além disso, sua militância no Movimento Negro Unificado de Goiás, do qual é membro fundadora desde 1974, evidencia seu compromisso com a luta por justiça social e igualdade de direitos.

No âmbito das honrarias, Zita Ferreira é a primeira mulher preta a receber o Troféu Jaburu, maior comenda cultural de Goiás, que já reconheceu nomes como Cora Coralina e Goiandira do Couto. Tal reconhecimento coroa sua incansável dedicação à promoção da cultura, educação e arte como ferramentas de transformação social.

Em sua fala, Bia de Lima (PT) foi enfática ao defender a valorização dos trabalhadores da base da educação: “Não estamos falando apenas de nomenclatura de cargos, mas de reconhecimento real de quem está todos os dias nas creches, exercendo função docente e contribuindo diretamente para o desenvolvimento das nossas crianças”, afirmou.

Professora de formação e defensora da educação pública, a deputada Bia de Lima destacou, em seu discurso, o papel do Cemadipe na promoção de uma educação que vai além da sala de aula. “Aqui não se trata apenas de oferecer ensino em tempo integral, mas de garantir uma formação integral. As crianças têm acesso à alimentação, ao reforço escolar, ao esporte, à formação humana e a valores fundamentais para a construção de cidadãos conscientes. Além disso, é um espaço acolhedor, onde cada estudante é respeitado em sua individualidade. Esse trabalho só é possível graças ao esforço coletivo de toda a equipe: direção, professores, técnicos, colaboradores e famílias que, juntos, sustentam um projeto que transforma vidas com qualidade e compromisso social”, afirmou.

“A Folia é um dos elementos mais importantes do folclore goiano, mas por se tratar de uma festividade essencialmente regional, cada Folia de Reis possui características próprias que podem variar de acordo com o costume local. Mas é possível destacar a presença de trajes com cores vibrantes, pedrarias, fitas e brilhos como um fato comum, bem como a existência de um estandarte ou bandeira para cada grupo de festejo”, aponta Bia de Lima.