Deputada Bia de Lima propõe multiplicidade de olhares para enfrentamento da violência nas escolas

Na audiência pública proposta pela deputada Bia de Lima (PT), para discussão da violência nas escolas, realizada na tarde dessa segunda-feira, 17, a parlamentar sugeriu a construção de um documento com multiplicidade de olhares para o tema. Segundo Bia, melhor do que só criar propostas, é ouvir todas as entidades e personagens que compõem a comunidades escolar.

“Convidamos diversos segmentos para trazerem seus olhares e preocupações e a partir disso, construirmos um documento, sem excluir nada, para junto de outras comissões e poderes, alinharmos a defesa dos estudantes e trabalhadores da educação. Temos a tarefa de discutir essa questão que nos traz uma preocupação imensa nas redes educacionais de forma geral”, afirmou a deputada.

A reunião ocorreu em meio a uma onda de violência que atinge todo o país, com uma série de ataques a escolas públicas e privadas, incluindo, o estado de Goiás. Nos últimos dias, ao menos, sete adolescentes foram apreendidos por ataques ou suspeita de ameaça de atos violentos em instituições de ensino.

Na audiência, Bia de Lima lembrou também sobre o requerimento apresentado por ela durante sessão legislativa, que cria um Disque-denúncia estadual para receber informações sobre situações de perigo nas escolas. Conforme o projeto, o número é de ligação direta com a polícia, reduzindo a sensação de medo da comunidade escolar.

Participante da mesa, a deputada federal Adriana Accorsi (PT) afirmou que o tema causa grande angústia a toda sociedade. Ela apontou como um dos fatores principais da onda de violência que passamos, o estímulo armamentista vivido nos últimos anos. Para amenizar o problema, a parlamentar sugeriu ações a curto e longo prazo.

“Sugiro duas ações ao mesmo tempo, uma de curto prazo e outra de longo prazo. Essa linha direta de denúncia das escolas com a polícia é imprescindível. Quem souber de algo que pode se tornar um ataque, denuncie. Mas, também, é necessário monitoramento. Precisamos de um trabalho sério contra essa construção de ódio, que se consolidou com o armamento desordenado da população”, afirmou ela.

O gerente de segurança escolar da Secretaria de Estado da Educação (Seduc) de Goiás, Capitão Vinícius Batista, declarou que a crise se dá em todo o país. No entanto, ressaltou que desde 2019, Goiás tem um Protocolo de Segurança, para orientações de professores e funcionários das escolas da rede estadual de Educação. Segundo ele, o problema da violência é multifatorial e, por isso, exige o empenho de vários setores da sociedade.

“O problema é multifatorial e as pessoas devem ser responsabilizadas. É preciso uma força-tarefa para unir ao máximo a comunidade escolar, para trazer soluções não paliativas, e sim permanentes, para que não estejamos sempre amedrontados e consigamos construir uma cultura de paz nas escolas. É hora de pensar algo mais impactante, além de mapear e identificar esses possíveis agentes de violência”, disse ele.

Representando o Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente de Goiás, Seluta Rodrigues falou sobre a importância de se colocar a saúde mental neste debate. De acordo com ela, são bastante relevantes as iniciativas da sociedade civil e do terceiro setor nesta causa. “Eu faço um apelo pela valorização da arte como poder transformador na vida de crianças e adolescentes, que diante dessa oportunidade fazem espetáculos de suas próprias vidas”, declarou.

Participaram ainda do debate representando a Polícia Civil do Estado de Goiás, Delegada Cybelle Tristão, que faz a Gerência de Apoio às Delegacias Regionais e do Entorno; Associação das Instituições Privadas de Ensino de Goiás, Presidente Eula Wamir; Conselho Estadual de Educação de Goiás, Vice-Presidente Jaime Ricardo Ferreira; Conselho Municipal de Educação de Goiás, Presidente Márcio Carvalho Santos; Sindicato dos Professores do Estado de Goiás, Presidente Railton Nascimento Souza; Conselho Regional de Psicologia e Conselho Estadual do Idoso, Presidente Wadson Arantes; Conselho Regional de Assistência Social de Goiás, Presidente Nara Costa; Centro Marista Divino Pai Eterno, Diretor Irmão David Nardi, Diretório Acadêmico da Universidade Federal de Goiás – DCE/UFG, Coordenador Geral, Marcos Soares.

Na ocasião, a deputada reforçou seu voto favorável ao fim da "taxa do agro", aprovada em definitivo, e cobrou do governo de Ronaldo Caiado (UB) que envie à Casa uma medida para extinguir o desconto aplicado aos servidores públicos aposentados de Goiás, cumprindo assim uma promessa feita há anos.

Ao discursar na solenidade, Bia de Lima ressaltou que a democracia no Brasil só será efetivamente garantida quando mais mulheres ocuparem espaços de poder. A parlamentar chamou a atenção para o número de casos relacionados à violência contra as mulheres e ressaltou que é preciso “se indignar e dizer não a todos os tipos de violência”.

“Estamos utilizando essa dinâmica da pedalada como mecanismo para atrair mais pessoas e colocar fim a toda violência praticada contra as mulheres. Goiás, infelizmente, é um estado que mata, agride, violenta e estupra mulheres. Nós precisamos nos indignar, não dá para normatizar os números que são estarrecedores”, afirmou a deputada.