Ensino Médio: MPGO faz recomendações à Seduc sobre fechamento de turmas no noturno

Em resposta às manifestações populares convocadas pela deputada estadual Bia de Lima (PT), além de uma representação, o Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO) fez recomendações à Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc-GO), relativas ao fechamento das turmas de Ensino Médio do período noturno da Rede Estadual de Ensino.

Acatando as sugestões da parlamentar, o órgão recomenda à pasta, na pessoa da representante legal, Professora Fátima Gavioli, que se abstenha de enquadrar ou matricular os estudantes menores de 15 anos, que estejam no ensino fundamental, bem como os menos de 18 anos, no ensino médio, na modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA), por não se encaixarem nos critérios legais exigidos.

No documento, o MPGO recomenda também que a Seduc se abstenha de fechar turmas de ensino noturno regular no ano letivo de 2023 e encaminhe relatório semestral ao órgão, sobre eventuais fechamentos que possam ocorrer a partir do ano letivo de 2024.

Ainda de acordo com o MPGO, cabe ao Conselho Estadual de Educação de Goiás (CCE-GO), o estudo e análise dos critérios constitucionais e legais exigidos, sobre o enquadramento ou matrícula dos estudantes na modalidade EJA, com a devida comunicação ao órgão sobre futura deliberações.

Desde o início do mês maio, quando se deu o início do fechamento das turmas, a deputada Bia de Lima defendeu a permanência da modalidade noturna e cobrou explicações sobre a decisão da Seduc. “Sou uma árdua defensora do ensino regular noturno. A migração dos alunos para o EJA significa um aligeiramento do ensino desses estudantes. Mesmo o fato de um aluno estar atrasado em relação à série prevista para a sua idade, não justifica essa aceleração do ensino, que significaria a subtração de uma educação mais completa, que diminui a chance [do aluno] de chegar ao ensino superior”, disse a parlamentar.

Audiência pública

Também por iniciativa da deputada Bia de Lima foi realizada a audiência pública “Ensino médio regular noturno, direito inalienável”. A pauta era justamente o remanejamento de aluno do ensino médio regular para a EJA, após o fechamento de turmas noturnas de escolas estaduais.

 Na ocasião, a deputada fez um apelo para a revisão da medida. “Gostaria de fazer um apelo: revejam esta medida e mantenham a oferta do ensino regular noturno e então, abrir para uma discussão ampla as mudanças que cabem e a forma como seriam realizadas. Dar a oportunidade de a rede estadual falar e, inclusive, pontuar os problemas. Penso que isso é o mais salutar”, completou a parlamentar.

“Esse programa aproxima os deputados e o Poder Legislativo das pessoas, dos municípios, trazendo demandas, ouvindo a população, levando benefícios e, principalmente, resultados, que é o que importa. A iniciativa já se tornou essencial para o nosso estado”, afirmou.

Ao discursar na tribuna, a deputada destacou que protocolou requerimento solicitando a realização de audiência pública para discutir a exploração de terras raras e outros recursos minerais no estado. “Precisamos aprofundar esse debate e reunir especialistas, representantes do poder público, setor produtivo e sociedade civil para discutir os impactos econômicos, sociais e ambientais da atividade mineradora em Goiás. É fundamental que o estado não repita um modelo histórico de exploração, em que riquezas naturais são retiradas sem que haja retorno efetivo para a população. Não podemos permitir que Goiás seja apenas um território de extração, onde se levam as riquezas e ficam os impactos, muitas vezes irreversíveis”, destacou.

Entre as pautas defendidas pela parlamentar em favor dos aposentados do serviço público, especialmente, os da Educação, categoria representada pela deputada, estão o reajuste do Piso do Magistério e data-base para Administrativos; a luta pelo fim do desconto de 14,25%; venda do hospital do servidor público; taxa de 30% dos dependentes do IPASGO e a mudança da natureza jurídica do IPASGO: valores inviáveis, dificuldade de conseguir exames e consultas com pagamentos indevidos.