1º de Maio: Em artigo no jornal O Popular, deputada Bia de Lima, critica enfraquecimento na relação de trabalho

Com mais de 30 anos de atuação no movimento sindical, tenho uma vida dedicada a lutar pelas garantias de direitos da classe trabalhadora e do reconhecimento da organização coletiva.

Em artigo publicado na edição do dia 1º de maio, Dia do Trabalho, a deputada estadual Bia de Lima (PT), publicou artigo de opinião no jornal O Popular, com uma reflexão sobre as mudanças que veem ocorrendo no mercado e a consequente fragilização da relação empregado-empregador, com perdas recaindo sempre sobre o trabalhador. Leia abaixo a íntegra do artigo.

Em alerta

Dados do DIEESE e do IPEA revelam um expressivo crescimento da pejotização dos trabalhadores brasileiros nos últimos anos: de 8,5% em 2015 para 14,1% em 2023. Isso representa um universo estimado de cerca de 18 milhões de pessoas contratadas como pessoas jurídicas (PJ) por empresas, mas que exercem atividades configuradas como vínculo empregatício, ou seja, uma forma de burlar os direitos e ganhos instituídos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Com mais de 30 anos de atuação no movimento sindical, tenho uma vida dedicada a lutar pelas garantias de direitos da classe trabalhadora e do reconhecimento da organização coletiva. Por isso, todos os meus alertas estão ligados à pejotização, uberização e informalidades diversas, que muitos insistem em chamar de empreendedorismo. Mas, na realidade, são práticas que deterioram os direitos fundamentais e previdenciários dos empregados e comprometem a arrecadação tributária, impactando negativamente a capacidade do Estado financiar políticas públicas para a sociedade.

Os contratos mais flexíveis, à margem da legislação trabalhista, não são novidade no Brasil. Desde a década de 1990, pelo menos, se popularizaram novas formas de contratação alternativas ao regramento vigente na CLT. São contratos de prestação de serviço, de empreitada, de cooperativa, de terceirização, e assim por diante, contudo, a fragilização do vínculo atual é maior e ainda mais preocupante.

Considerando os milhões de MEIs ativos e outras formas de atuação com CNPJ, inclusive por profissionais da Educação e da saúde, essas pessoas muitas vezes estão inseridas em vínculos de dependência, vivendo situações no contexto laboral que ocultam as relações empregatícias. E cabe ressaltar o óbvio: pessoas jurídicas não detêm direitos trabalhistas.

É a CLT que garante jornada diária máxima de oito horas, descanso semanal remunerado, férias, hora extra, atuação em ambiente salubre, aviso prévio, licença-maternidade e paternidade, 13º salário, FGTS, proteção contra demissão sem justa causa e seguro-desemprego.

Pessoas sem direitos trabalhistas não descansam, não têm garantia de reclamação em casos de discriminação ou assédio, ou em casos de doença ou acidente de trabalho. Ao transformar trabalhadores em meros prestadores de serviços autônomos ou “pejotas”, o sistema capitalista selvagem apaga a dimensão humana e esvazia o propósito central do Direito do Trabalho: estabelecer limites e trazer equilíbrio a uma relação estruturalmente desigual e, assim, garantir condições dignas aos trabalhadores.

Voz da classe trabalhadora na Assembleia Legislativa de Goiás, luto diariamente por valorização dos trabalhadores no nosso estado, bem como das entidades representativas e anseio para que o país avance rumo ao progresso social e civilizatório proclamado pela Constituição de 1988 – que assegura aos trabalhadores direitos, inclusão social e garantias fundamentais. A quem interessa uma nação com organizações enfraquecidas e trabalhadores sem direitos?

Bia de Lima
Deputada Estadual/PT-GO
Presidente do Sintego
Ex-presidente da CUT-GO

De acordo com a parlamentar, ela está atenta à proteção das crianças e adolescentes goianos. “Infelizmente, em tempos atuais, seja em função do uso da internet, no ambiente familiar ou em qualquer outro espaço, nossas crianças têm sido atingidas, têm sido ameaçadas ou, quando não, violentadas. Então, nós precisamos ter um momento em que a gente pare e acione toda a comunidade, toda a sociedade, para essa escuta, para que possamos saber o que está ocorrendo, para que os conselhos tutelares, a sociedade, a família e a escola possam, de fato, conhecer se está ou não havendo algum tipo de situação errada”, disse a deputada.

Com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, a deputada Bia de Lima destacou que a reforma tributária é estratégica para ampliar investimentos e promover desenvolvimento em todo o país. “Uma reforma tributária justa é fundamental para que o país tenha mais capacidade de investimento e para que os recursos cheguem a quem mais precisa, especialmente nos municípios menores, que dependem de um olhar atento do poder público”, destacou.

O Projeto de Lei que trata do reajuste do Piso do Magistério para 2026 foi aprovado nesta quinta-feira (12/3), em segunda e última votação, na Assembleia Legislativa de Goiás. O percentual de 5,4%, definido pelo Governo Federal, será aplicado na carreira para todos os professores efetivos da ativa e também para os aposentados, com a devida paridade.