Trabalho escravo: “Números em Goiás nos envergonham”, afirma deputada Bia de Lima, no Tribunal Regional do Trabalho

Dados do Ministério do Trabalho, apontaram que 729 trabalhadores foram encontrados em situação análoga à escravidão em Goiás até novembro de 2023.

A deputada Bia de Lima (PT) participou na manhã desta segunda-feira, 13, do evento “Rompendo correntes: a escravidão não pode continuar”, que ocorreu no auditório do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 18ª Região, em Goiânia.

A deputada ressaltou a importância do evento e reforçou que considera inadmissível o estado de Goiás figurar entre os primeiros colocados do ranking brasileiro do Ministério do Trabalho e Emprego relativo ao trabalho escravo.

“A falta de trabalho digno é uma chaga para todos os goianos. Como dirigente sindical que sou, e também na oportunidade de representar a classe trabalhadora na Assembleia Legislativa de Goiás, tenho a chance de dar voz aos trabalhadores naquela Casa. Procuramos o Ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e o convidamos para vir a Goiânia para dizer o quanto nos envergonham os dados sobre o trabalho escravo no nosso estado, mas, principalmente, para dizer que queremos um basta nestas situações e, não só pelos números, mas pelas vidas dos trabalhadores”, disse ela.

“Não dá para, em pleno séc. XXI, conviver com situações como estas de trabalho análogo à escravidão. Não podemos ficar calados, omissos e precisamos tomar atitudes sérias para impedir que trabalhadores chamados a realizar serviços tanto no campo, como também na zona urbana, estejam nessas condições. Precisamos reestruturar a Superintendência do Trabalho e Emprego para que tenhamos meios para coibir essas práticas tão vergonhosas”, declarou.

Dados vergonhosos
Dados do Ministério do Trabalho, apontaram que 729 trabalhadores foram encontrados em situação análoga à escravidão em Goiás até novembro de 2023, o que tornou o Estado líder no ranking brasileiro. A última vez que o Estado ocupou a posição foi há 15 anos.

Órgãos oficiais apontam o aumento das denúncias e ações de fiscalização, mudanças no cenário político e resgates com maior quantidade de profissionais envolvidos como fatores para a primeira posição na lista.

Goiás é seguido pelos estados de Minas Gerais (571), São Paulo (380), Rio Grande do Sul (330) e Piauí (145). Em todo o Brasil, até o momento, foram 2,9 mil trabalhadores resgatados ao longo desse ano.

O setor sucroalcooleiro concentra 58,7% dos resgatados, com 428 profissionais encontrados em situações precárias de trabalho. As ocorrências foram em quatro municípios – Itumbiara, Acreúna, Anicuns e Inhumas.

Conforme os dados, dentre os 729 trabalhadores, 676 estavam na zona rural. Os outros 53, na zona urbana. No comparativo com anos anteriores, o quantitativo de 2023 é o maior desde 2008, quando o Estado alcançou o recorde de 867 resgates.

Na ocasião, a deputada reforçou seu voto favorável ao fim da "taxa do agro", aprovada em definitivo, e cobrou do governo de Ronaldo Caiado (UB) que envie à Casa uma medida para extinguir o desconto aplicado aos servidores públicos aposentados de Goiás, cumprindo assim uma promessa feita há anos.

Ao discursar na solenidade, Bia de Lima ressaltou que a democracia no Brasil só será efetivamente garantida quando mais mulheres ocuparem espaços de poder. A parlamentar chamou a atenção para o número de casos relacionados à violência contra as mulheres e ressaltou que é preciso “se indignar e dizer não a todos os tipos de violência”.

“Estamos utilizando essa dinâmica da pedalada como mecanismo para atrair mais pessoas e colocar fim a toda violência praticada contra as mulheres. Goiás, infelizmente, é um estado que mata, agride, violenta e estupra mulheres. Nós precisamos nos indignar, não dá para normatizar os números que são estarrecedores”, afirmou a deputada.