Corrupção: deputada Bia de Lima critica possíveis mudanças na Lei da Ficha Limpa

A deputada chama a atenção para que a população fique atenta a essa manobra. “É necessária a atenção da população, que estejam todos muito atentos, pois a situação é crítica”.

A deputada estadual Bia de Lima (PT) criticou a possível mudança na Lei da Ficha Limpa, proposta pelo deputado bolsonarista Bibo Nunes (PL-RS) para reduzir o tempo de inelegibilidade previsto na legislação de 8 para 2 anos. Segundo ela, houve uma mobilização para que a lei fosse aprovada, garantindo idoneidade aos candidatos.

“Sou contra essa mudança e lembro a importância do movimento que ocorreu em todo o Brasil, principalmente das entidades como a CUT e o próprio PT, para mobilização até que a lei fosse aprovada. Desde então, a lei tem sido muito positiva para a sociedade e não podemos aceitar esse retrocesso”, disse a parlamentar em entrevista à City TV.

De acordo com Bia, a possível alteração na lei “é um erro gravíssimo”. “Queremos que as pessoas que vão participar da política sejam honestas, tenham seriedade e, efetivamente, tenham a ficha limpa. Não podemos aceitar nenhuma proposta de redução de tempo, justamente, para beneficiar aqueles que não se enquadram nesses critérios e querem disputar as eleições para voltarem a prometer, se colocarem como cidadãos de bem, sendo que, na verdade, a situação é outra. Precisamos fortalecer a lei e não modificá-la”, afirmou Bia.

A deputada chama a atenção para que a população fique atenta a essa manobra. “Prestem bem atenção em quem quer modificar a lei, não é para melhorar é apenas para acobertar aqueles que não estão com a ficha limpa ter condições de iludir o povo, voltar a mentir, não podemos aceitar isso. Nesse momento, é necessária a atenção da população, que estejam todos muito atentos, pois a situação é crítica. É preciso que quem se apresente tenha, realmente, a ficha limpa, temos que manter a lei como está”, completou.

Para a aprovação do projeto de Bibo Nunes, que está em início de tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, são exigidos no mínimo 257 votos dos deputados e 41 dos senadores. Além disso, para que essas regras se apliquem a casos anteriores, é necessário que o Supremo Tribunal Federal (STF) ou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) validem a retroatividade da mudança na lei — hipótese considerada remota por alguns juristas.

Na ocasião, a deputada reforçou seu voto favorável ao fim da "taxa do agro", aprovada em definitivo, e cobrou do governo de Ronaldo Caiado (UB) que envie à Casa uma medida para extinguir o desconto aplicado aos servidores públicos aposentados de Goiás, cumprindo assim uma promessa feita há anos.

Ao discursar na solenidade, Bia de Lima ressaltou que a democracia no Brasil só será efetivamente garantida quando mais mulheres ocuparem espaços de poder. A parlamentar chamou a atenção para o número de casos relacionados à violência contra as mulheres e ressaltou que é preciso “se indignar e dizer não a todos os tipos de violência”.

“Estamos utilizando essa dinâmica da pedalada como mecanismo para atrair mais pessoas e colocar fim a toda violência praticada contra as mulheres. Goiás, infelizmente, é um estado que mata, agride, violenta e estupra mulheres. Nós precisamos nos indignar, não dá para normatizar os números que são estarrecedores”, afirmou a deputada.