Educação: Projeto de Lei de Bia de Lima amplia proibição de eletrônicos em salas de aula

O PL da deputada altera a lei nº 16.993, de 10 de maio de 2010, que proibia apenas o uso de aparelhos celulares e inclui as escolas da rede privada de ensino.

A deputada estadual Bia de Lima (PT) apresentou na sessão ordinária dessa terça-feira, 26, um projeto de lei que amplia a proibição de eletrônicos com acesso à internet, tais como tablets, relógios inteligentes e outros dispositivos similares, nas salas de aula das escolas das redes pública e privada de Goiás. O PL da deputada altera a lei nº 16.993, de 10 de maio de 2010, que proibia apenas o uso de aparelhos celulares e inclui as escolas da rede privada de ensino.

De acordo com a proposta, os estudantes que optarem por levar seus celulares e outros dispositivos eletrônicos para as escolas deverão deixá-los armazenados, de forma segura, sem a possibilidade de acessá-los durante o período das aulas, assumindo a responsabilidade por eventual extravio ou dano, caso exerçam essa opção.

O PL prevê também que o uso de dispositivos eletrônicos será permitido em unidades escolares exclusivamente quando houver necessidade pedagógica para utilização de conteúdos digitais ou ferramentas educacionais específicas; para alunos com deficiência que requerem auxílios tecnológicos específicos para participação efetiva nas atividades escolares ou que tenham alguma condição de saúde que requeira esse auxílio.

Por fim, o projeto de lei estabelece que as secretarias municipais, bem como a Secretaria da Educação do Estado de Goiás e as escolas da rede privada, deverão estabelecer protocolos para o armazenamento dos dispositivos eletrônicos durante todo o horário escolar.

“A hegemonia do uso dos aparelhos digitais afeta, diretamente, no desenvolvimento de tarefas por parte do indivíduo, e a utilização desmedida das redes e de atalhos tecnológicos prejudica a concentração e apreensão de conteúdo durante a ministração das aulas”, justifica Bia de Lima.

Segundo dados aferidos pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) no ano de 2022, oito em cada dez alunos brasileiros na faixa etária de 15 anos relataram se distrair com o uso de celulares nas aulas de matemática, padrão que se repete em outros países como Argentina, Canadá, Nova Zelândia e Uruguai. E, de acordo com o levantamento, na média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, seis estudantes a cada dez se distraem com os aparelhos digitais.

Para a parlamentar, militante da área da educação, a sanção é um grande avanço. “É uma alegria receber o convite do presidente Lula para participar deste momento, que é histórico. Sou presidente da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa de Goiás e já estamos trabalhando não só para construir, mas também para garantir a implementação do PNE e do Plano Estadual de Educação de Goiás. Este documento é importante para todos os brasileiros”, afirmou a deputada.

“Esse programa aproxima os deputados e o Poder Legislativo das pessoas, dos municípios, trazendo demandas, ouvindo a população, levando benefícios e, principalmente, resultados, que é o que importa. A iniciativa já se tornou essencial para o nosso estado”, afirmou.

Ao discursar na tribuna, a deputada destacou que protocolou requerimento solicitando a realização de audiência pública para discutir a exploração de terras raras e outros recursos minerais no estado. “Precisamos aprofundar esse debate e reunir especialistas, representantes do poder público, setor produtivo e sociedade civil para discutir os impactos econômicos, sociais e ambientais da atividade mineradora em Goiás. É fundamental que o estado não repita um modelo histórico de exploração, em que riquezas naturais são retiradas sem que haja retorno efetivo para a população. Não podemos permitir que Goiás seja apenas um território de extração, onde se levam as riquezas e ficam os impactos, muitas vezes irreversíveis”, destacou.