Mulher: “Somente juntas seremos fortes”, reforça Bia de Lima em encontro da Procuradoria da Mulher Itinerante

Encontro teve como objetivo de coletar informações para aprimorar as ações em defesa dos direitos das mulheres.

A Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) sediou nesta quinta-feira, 26, o primeiro encontro da Procuradoria da Mulher Itinerante, projeto da procuradoria da Mulher da Câmaras dos Deputados que percorrerá as cinco regiões do país, com o objetivo de coletar informações para aprimorar as ações em defesa dos direitos das mulheres.

Na ocasião, a deputada Bia de Lima (PT), que presidirá a Procuradoria da Mulher da Alego a partir de próximo ano, reforçou a união das mulheres como ponto de partida para a ocupação de espaços na política e exigência de respeito em todos os ambientes.

“A ideia deste encontro é que possamos montar uma rede protetora de encorajamento, de trabalho, de instrumentalização, e que em cada Câmara Municipal tenhamos mais mulheres presentes. Precisamos dar as mãos para que mais e mais mulheres cheguem à política, alavancando cada vez mais mulheres, dinamizando as atividades e colocando frente à atuação das mulheres, para que atuem onde desejarem, dando fim a qualquer tipo de discriminação, machismo, misoginia”, disse Bia de Lima.

“Não vamos permitir agressões, violências, inibição, independente do ambiente. Somente juntas seremos fortes”, completou ela.

Atual Procuradora da Mulher da Alego, a deputada Rosângela Rezende (AGIR), falou da felicidade em receber o primeiro encontro da Procuradoria da Mulher Itinerante. “Finalizando o mês de outubro não poderia ser melhor do que receber a Procuradoria da Mulher Itinerante que tem o objetivo de motivar todas as mulheres para ampliar essa rede de proteção lá na ponta, onde acontece a violência, que se movimenta a partir do momento que a mulher começou a se movimentar”, disse.

Na ocasião, a deputada federal Lêda Borges (PSDB), que preside a Comissão da Mulher da Câmara Federal, falou sobre a violência sofrida por Bia de Lima na Alego e como isso é inadmissível. “É a primeira vez que a Câmara Federal se desloca e isso é histórico. O que a Bia está passando aqui, foi o que eu passei aqui, nós sofremos violência política toda hora, é misoginia mesmo. Mas a Procuradoria existe para coibir esse tipo de prática, e ela funciona. Nos usem, nós vamos agir”, ressaltou a parlamentar.

Já a titular da Procuradoria da Mulher da Câmara dos Deputados, deputada Soraya Santos (PL), falou sobre a importância da realização política das instâncias municipais. “Não adianta aprovarmos leis em Brasília, se a política não funciona na ponta, por isso as vereadoras são tão fundamentais. Eu sempre olhei com aquela ideia de serem as vozes de todas, o exercício da cidadania. Nós temos o dever de fazer essa legislação ser cumprida, facilitando a vida das pessoas, especialmente, das mulheres”, afirmou ela.

Além da deputada de Goiás, participaram do evento a deputada Dra. Zeli (UB), as deputadas federais Flávia Morais (PDT) e Sylvie Alves (UB), e a empresária e suplente de senadora Izaura Cardoso, entre outras autoridades.

Participação das mulheres na política

Em Goiás, segundo dados do TSE, dos 246 municípios, 156 deles não tiveram candidatura feminina à Prefeitura Municipal, nas últimas eleições, em 2020.

Das 102 candidatas, distribuídas em 90 municípios, 34 se elegeram. Para as Câmaras de Vereadores todos os municípios tiveram candidatas (8.126) e foram eleitas 359 mulheres.

Proteção da Mulher

De acordo com dados sobre violência contra mulher no Estado de Goiás no ano de 2022, do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2023, quase 16 mil medidas protetivas foram concedidas, o que registra um aumento de 31,6%, se comparado ao período anterior. As denúncias envolvendo violência psicológica aumentaram 216%, com 1.773 casos.

Informaçōes cruzadas sobre homicídios de mulheres e feminicídio apontam que, a cada 10 mulheres mortas, em Goiás, quatro foram vítimas de feminicídio.

O primeiro encontro da Procuradoria da Mulher da Câmara Itinerante é realizado em parceria com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), bem como com cada unidade regional destes órgãos e outras entidades do segmento, trarão importantes contribuições para a coleta desses dados.

Em seu discurso, a deputada ressaltou que a ampliação do acesso à educação também deve ser acompanhada da valorização de professores e servidores técnico-administrativos. Bia de Lima também comentou sobre a greve dos trabalhadores da educação municipal de Goiânia, que, segundo ela, já ultrapassa duas semanas. Ela cobrou avanços nas negociações. “É preciso ter muito mais cuidado e zelo, atender o pessoal, sentar, discutir e achar uma saída”, defendeu.

“Estamos fazendo todos os esforços, buscando diversas autoridades para intermediar a situação com o prefeito Sandro Mabel, que prometeu retirar todas as propostas que haviam sido apresentadas. Essa medida, além de não ajudar, piora o que já não estava bom. Estamos buscando a resolução para esse impasse, que é de obrigação da gestão. A pauta está colocada há anos, os trabalhadores não só querem, como têm direito a valorização”, apontou a deputada.

Para Bia, o calendário eleitoral não deve servir de justificativa para reduzir a rotina de funcionamento do Parlamento. A deputada defendeu a manutenção dos dias e horários já conhecidos pela população, especialmente para garantir que quem acompanha os trabalhos da Assembleia pela TV Alego e pelos demais canais institucionais continue tendo previsibilidade sobre a atuação dos parlamentares.