A deputada estadual Bia de Lima (PT-GO) voltou a questionar a política de progressão dos estudantes da rede estadual de ensino de Goiás e a forma como os dados de evasão e repetência são contabilizados. Professora e militante da educação, a parlamentar afirma que a aprovação automática de alunos pode mascarar uma realidade que precisa ser enfrentada pelo poder público: a aprendizagem e a permanência efetiva dos estudantes na sala de aula.
Durante participação em podcast, Bia criticou o que considera uma distorção na política educacional do Estado. Segundo ela, estudantes que deixam de frequentar as aulas não necessariamente aparecem nos registros oficiais como evadidos. A deputada afirma que, em determinadas situações, esses alunos são registrados como transferidos, mesmo sem que haja clareza sobre o destino deles.
“Ele não precisa ir à escola, ele não é reprovado e nem ele é evadido. Ele muda o nome, falam que foi transferido, mas não evadiu. Ninguém sabe para onde foi transferido, mas é uma realidade”, afirmou.
Para Bia, o problema não se resume à aprovação ou reprovação. A parlamentar questiona se os indicadores utilizados para avaliar a educação conseguem retratar aquilo que efetivamente acontece nas escolas. Ela relaciona a discussão aos critérios considerados pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que leva em conta, entre outros fatores, indicadores de fluxo escolar e desempenho dos estudantes.
“Se não há evasão, se não tem repetência, então Goiás fica bem na foto. Mas será que esses meninos estão todos dentro da sala de aula mesmo? Será que todo mundo passou de ano ou passaram ele?”, questionou a deputada.
A parlamentar defende que os números da educação sejam divulgados com transparência e analisados para além dos resultados estatísticos. Na avaliação dela, reduzir artificialmente os índices de reprovação e evasão não significa, necessariamente, garantir que o estudante esteja aprendendo ou concluindo sua trajetória escolar.
Impacto sobre professores
Bia de Lima também chama atenção para o impacto da progressão automática sobre os profissionais da educação. Segundo a deputada, professores acabam tendo pouca autonomia diante de situações em que identificam dificuldades de aprendizagem ou ausência frequente dos estudantes.
“A questão da progressão automática, os professores são obrigados. Isso é péssimo. O pessoal fica bem chateado”, declarou.
Para a parlamentar, é necessário discutir uma política educacional que combine permanência, aprendizagem, acompanhamento individualizado e valorização dos profissionais da educação. Na avaliação de Bia, garantir que o estudante avance de etapa sem enfrentar suas dificuldades pode apenas transferir o problema para os anos seguintes.
“Não basta o aluno estar matriculado. É preciso saber se ele está frequentando a escola, se está aprendendo e se está tendo as condições necessárias para permanecer estudando”, defende a deputada.
Bia de Lima afirma que a educação pública deve ser avaliada a partir da realidade vivida por estudantes, professores e comunidades escolares, e não apenas por indicadores que, isoladamente, podem não revelar toda a dimensão dos desafios enfrentados pela rede de ensino.