A deputada estadual Bia de Lima (PT) realizou na manhã desta terça-feira (5/5) a sessão solene especial em homenagem ao Dia do Trabalhador, celebrado no dia 1º de maio. Representante da classe trabalhadora e do movimento sindical na Assembleia Legislativa de Goiás, a parlamentar apontou a solenidade como necessária para reconhecer as pessoas que lutam diariamente e fazem o país acontecer. Na ocasião, também foram entregues três títulos de Cidadania Goiana, bem como a medalha do Mérito Legislativo Pedro Ludovico Teixeira.
“É motivo de muito orgulho e satisfação poder representar trabalhadores e trabalhadoras e, aqui, aproveito o mandato de deputada estadual, para realizar essas homenagens que são necessárias a quem luta, trabalha e se dedica tanto no dia a dia”, disse a legisladora.
A deputada destacou que o Brasil vive uma divisão de classes marcada pelo radicalismo, pelo ódio e pelo preconceito. “Avançamos muito, e não tínhamos o hábito de presenciar esse tipo de comportamento no Brasil. No entanto, infelizmente, o direito democrático de as pessoas terem suas opiniões, suas ideologias e seus pensamentos respeitados tem sido, nos dias de hoje, motivo de preocupação para muitos de nós”, afirmou, reiterando que o direito dos trabalhadores de terem opinião, de terem os desejos respeitados, assim como as crenças, a fé, as ideias e pensamento é algo do qual nunca se deve abrir mão.
Defesa das mulheres
A parlamentar falou sobre pautas que defende na Assembleia, em destaque, a da defesa das mulheres. Disse que, com o avanço da educação e da participação feminina, já teria sido superada uma realidade que causava medo, angústia e até depressão. “Mas, infelizmente, isso ainda não aconteceu. Goiás ainda é um dos estados que mais mata mulheres. Não podemos achar isso normal. Não podemos nos conformar com esses números.”
Ela também discorreu sobre a questão da representatividade na política. Essa desigualdade, disse, é evidente na política: “Dos 41 deputados da Assembleia, apenas quatro são mulheres. Precisamos mudar essa realidade. Mesmo sendo mais de 50% do eleitorado, muitas vezes ainda escolhemos votar em homens, inclusive em homens que não nos representam.”
A deputada também falou que além de dar destaque às mulheres que estão na política é preciso lutar e apoiar uma pauta importante que tramita no Congresso Nacional, sobre mudança do regime de trabalho. Disse que é preciso aprovar o fim da escala 6×1, especialmente para as mulheres. Essa escala, lembrou, prevê apenas um dia de folga, muito pouco.
Segundo Bia, para as mulheres trabalhadoras, esse dia é dedicado a lavar roupa, cuidar da casa, acompanhar as tarefas dos filhos, fazer compras e resolver inúmeras demandas acumuladas. Lembrou que já houve conquistas importantes no passado, como o fim de atividades obrigatórias aos sábados em algumas categorias, fruto de muita luta sindical.
“Precisamos avançar mais. É fundamental que o Congresso avance nessa pauta e aprove propostas que garantam melhores condições de trabalho, como a redução da jornada e o fim da escala 6×1”, firmou, reforçando que essa é uma luta fundamental para todos os trabalhadores.
Após a fala de Bia de Lima foi apresentado um vídeo institucional em homenagem aos trabalhadores presentes na solenidade desta manhã no Plenário Iris Rezende.
Homenagens
Presidente da Central Única dos Trabalhadores em Goiás (CUT-GO), Flávio Silva ressaltou a relevância da iniciativa da deputada e destacou o momento político vivido no país, que torna importante homenagear trabalhadores. “Ainda mais em tempos de retirada de direitos e ameaças constantes”, afirmou. Ele alertou para o cenário eleitoral e defendeu mobilização da classe trabalhadora, destacando que este ano é desafiador e será preciso organização e luta para garantir direitos e representatividade.
Na mesma linha, a secretária-geral do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), Roseane Ramos Silva, enfatizou a importância da presença dos trabalhadores no Parlamento ocupando a Casa. Ela reforçou pautas como o fim da escala seis por um e reiterou que o direito ao descanso e ao convívio familiar ainda não é realidade para a maioria da classe trabalhadora.
Um dos homenageados com o Título de Cidadania Goiana, Alex Sandro Gomes, coordenador-geral da Secretaria Nacional de Futebol do Ministério do Esporte, destacou o papel social das torcidas organizadas e sua atuação junto à população. Disse que a pasta dialoga com milhões de trabalhadores que também estão nas arquibancadas e fora delas, contribuindo com a sociedade. Ele declarou apoio à pauta trabalhista em debate.
Também homenageado com título de cidadania, o militante social Whidney Corado da Silva fez agradecimentos e bateu na tecla de valorização cultural. Ao destacar sua trajetória em Goiás, afirmou que “ser goiano hoje é algo muito tranquilo, depois de 25 anos conhecendo e vivendo essa cultura”. Ele ressaltou o vínculo com o Estado e a atuação junto às comunidades.
O advogado criminalista Manoel Leonilson Bezerra Rocha, outro agraciado com o título de cidadania, destacou o significado pessoal da homenagem. Segundo ele, receber a honraria é mais que uma homenagem, é um acolhimento oficial de um povo que já o acolheu há muito tempo. Ele também ressaltou sua atuação profissional e acadêmica no Estado ao longo das últimas décadas.
Entre os homenageados com a Medalha do Mérito Legislativo Pedro Ludovico Teixeira, a assistente social Viviane da Silva Sousa destacou o papel coletivo do trabalho desenvolvido. “Esse mérito não é só meu, é de todas as mulheres que estão na linha de frente lutando por direitos”, afirmou. Ela também pontuou desafios enfrentados em projetos sociais, ressaltando que “o lugar da mulher é onde ela quiser”.
Falando em nome dos homenageados, o coordenador do Partido dos Trabalhadores do Território Norte Goiano, Rodrigo Alberto Lopes, ressaltou a trajetória de luta da classe trabalhadora. “Esse momento nos faz refletir sobre a luta histórica por direitos, que continua diante dos desafios atuais”, disse. Ele também reforçou a defesa da redução da jornada de trabalho.
Encerrando as participações, a vereadora por Goiânia e vice-presidente do Sintego, Ludmylla Morais (PT), destacou a necessidade de maior ocupação dos espaços de poder por trabalhadores, o que é fundamental para garantir direitos. Ela também chamou atenção para a sobrecarga enfrentada pelas mulheres: “O trabalho das mulheres muitas vezes não tem fim”.